Marketing: o que você pode aprender com um papel higiênico!

Marketing: o que você pode aprender com um papel higiênico!

O marketing sempre esteve presente na minha vida. Não sei dizer em que momento eu despertei para essa área. Não lembro quando e como comecei a gostar desse mundo mercadológico maluco. O fato é que o marketing não foi imposto a mim, o marketing surgiu de forma natural. E como tudo aquilo que surge dessa forma, torna-se uma paixão duradoura e transforma momentos de estudo em momentos agradáveis de diversão. Ok… parece um discurso meio Disney, mas, aquela máxima de que “quem trabalha com o gosta não precisa trabalhar” é muito verdade. A maioria das pessoas não concorda com isso por que a maioria das pessoas não vive essa realidade.

Mas, não estou aqui para falar de quanto eu sou feliz na área de marketing mesmo trabalhando em regime de escravidão voluntária. O que eu quero dizer com tudo isso é que, quando estamos apaixonados por uma área, automaticamente ganhamos o direito de julgar e criticar tudo aquilo que vimos. Bem, pelo menos é isso que a gente acha.

Fato é que, há algum tempo, eu recebi de minha esposa a missão de comprar papel higiênico. E pra mim parceiro, missão dada é missão cumprida. E foi comprida mesmo viu! Quando chego ao mercado vou direto à seção, na seção de atendimento ao cliente, para perguntar onde fica o papel higiênico, pois é assim que nós, homens, fazemos. Agora sim, chegou o momento da decisão! Folha simples ou folha dupla? 4 ou 8 rolos? Melhor ligar para perguntar. Pronto! Não, péra… perfumado ou sem perfume? Flores do campo ou lírios do vale? 30 ou 40 metros? Melhor ligar. Agora sim, pronto!

Munido de todas as informações pertinentes para cumprir minha missão com eficiência, me deparei com um produto que era diferente. Um papel higiênico que vinha amassado. Nesse momento, no auge da minha missão, ao ver esse super produto, eu usei todo meu conhecimento da área e exclamei: “Nossa, que bosta! Por que raios alguém vai querer comprar um rolo de papel que vem amassado? Eta povinho desocupado mêmo!” (Sim, eu penso com erros de ortografia).

Depois de cumprir minha missão com excelência e sem ajuda de ninguém, pude relaxar e pensar no que tinha visto. Como era possível. Papel higiênico? Amassado? Nada disso fazia sentido. E não fez! Não fez até eu me mudar para um apartamento de 50 metros quadrados e descobrir que 8 rolos de papel higiênico não cabem no meu micro armário, a não ser que eles estejam… amassados! Voilá! Uau. Perfeito. Quem é o idiota agora senhor do marketing?

Depois que a cara de bunda passou me dei conta que espaço, ou a falta dele, é um dos maiores problemas atuais. Eu sei qual quantidade vou precisar por mês de produtos de limpeza, alimentos, etc, etc. E tenho o dinheiro para pagar (mentira), mas não posso comprar única e exclusivamente pela falta de espaço! É muito louco isso.

É muito louco porque a maioria de nós cresceu acostumados com espaço. Ambientes amplos, quintais, varandas, quartos imensos, enfim. É uma questão cultural. Adaptar-se a um banheiro que você tem que entrar de ré, porque é impossível manobrar lá dentro, é uma tarefa difícil. Sujar um copo e um prato e a cozinha parecer completamente revirada é deprimente! Pôxa, ainda bem alguém pensou em mim e criou um papel higiênico amassado. Quer dizer, compactado, mais respeito!

De qualquer forma, o que quero dizer, é que minha visão era limitada pelo fato de eu não ter vivência suficiente para imaginar como seria a vida em um ambiente menor do que eu estava acostumado. Como eu nunca tinha morado na Toca do Gugu, eu não tinha repertório cultural para imaginar quais seriam os pontos positivos e negativos de viver em um ambiente reduzido.
Depois disso comecei a pensar em quantos erros nós cometemos simplesmente pela falta de empatia com o público a que se destina nosso trabalho.

Se o dono uma padaria não possui um pet, talvez fique difícil para ele propor um local onde os seus clientes possam amarrar seu bichinho enquanto compram pão. Se o dono de um restaurante não possui filhos pequenos, talvez ele não considere incluir um cardápio especial para crianças. Se um arquiteto não gosta de cozinhar talvez seja difícil projetar uma cozinha eficiente. Se uma pessoa não possui limitações físicas, pode ser difícil imaginar um ambiente com acessibilidade total. Enfim!

 Voltando para minha área, gosto de dizer que marketing é tudo aquilo que fazemos para aumentar aquele índice comercial importantíssimo chamado SDCC – “SALDO DISPONÍVEL EM CONTA CORRENTE”. Analisando por esse lado, o projeto do papel higiênico compactado custou 6,5 milhões. Hoje, esse produto ocupa um espaço 18% menor no estoque, no caminhão, na gôndola e no meu armário. O que representa 13% de material plástico a menos na produção, reduzindo a emissão de gases do efeito estufa. Isso significa uma redução no impacto para o ambiente em 25% em cada embalagem.

A mensagem final é que sempre existe espaço para a inovação. Mesmo que a inovação seja em um produto que você enfia no armário.

Uma resposta

  1. Pâmela
    | Responder

    Marketing: o que você pode aprender com um papel higiênico! UAL…Texto excelente realmente muitas pessoas pecam pela ignorância ou pela inobservância das utilidades e vantagens do produto. Por esse motivo o Marketing tem que trabalhar na satisfação de clientes diversos, não em um estilo tradicional, mas sim na adequação de culturas e estilos distintos. Parabéns!!!

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