Um domingo de pequenas vitórias

Um domingo de pequenas vitórias

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O sábado não foi um dia muito bom. Depois de uma semana atarefada, ele já estava preocupado com as responsabilidades da semana seguinte. A segunda-feira será um dia bem corrido e o carro está, mais uma vez, no mecânico. O domingo promete! Promete ser igual a todos os outros. Um pouco de lazer, um pouco de trabalho e um pouco de depressão. Sair para uma caminhada parece ser algo interessante diante das poucas perspectivas que o dia oferece.

Depois de vários dias de calor infernal somente alguns raios de sol conseguem atravessar as nuvens densas. É suficiente! Bermuda, camiseta regata, tênis, dois pares de meia, óculos de sol, celular e fones de ouvido. Enquanto espera o elevador ele prepara a playlist. Nem tão animada, nem tão depressiva. O volume é o ideal para escutar a música e seus pensamentos ao mesmo tempo.

Para quem mora em um bairro com muitas indústrias o domingo é mais calmo que o normal. Isso é bom. Talvez esse seja o clima ideal para colocar a cabeça no lugar. Ah… sim, o destino. Logo na saída do condomínio existem oito caminhos possíveis. Quem se importa? No fundo, lá no fundo, a ausência de um destino esconde o desejo de ser surpreendido.

O dia em que ele venceu a estrada

Assim, ele sai. Logo as coisas familiares vão ficando para trás. Ver tudo de longe, em escala reduzida é muito mais que apenas um exercício físico. Ele caminha, quando caminhar fica chato ele corre, quando cansa de correr caminha novamente. As fábricas estão fechadas, os estacionamentos estão vazios. Na pequena guarita o vigia cura sua ressaca. O pé dói. Ele não é um atleta. Ao contrário.  Há menos de um ano ele desfilava 156 quilos de obesidade mórbida. Os 30 quilos eliminados nesse período não foram suficientes para eliminar as dores.

Algum tempo depois chega a hora de retornar. Parado diante de uma rodovia ele tem certeza que esse é o momento de voltar. Correr pela estrada é um desafio muito grande. Desde uma simples bolha até um torção no pé pode impedir a volta pra casa. Além do mais, segunda-feira é dia de ir trabalhar a pé. Sem contar que o caminho de volta já é difícil o suficiente.

Acontece que, por alguma razão qualquer, hoje não é dia de retroceder. Correr pela estrada significa muito mais que ultrapassar limites físicos. Para quem não conseguia subir míseros degraus, o fato de ter percorrido o caminho até aquele lugar já era uma vitória sem tamanho. Mas, era dia de ir mais longe. Ele sabe que é melhor começar logo. O primeiro passo talvez seja o mais importante. Ficar ali parado, pensando, não é uma boa ideia. Se demorar muito é capaz até do seu próprio sofá mandar uma mensagem dizendo que está com saudades. Aliás, o sofá e a cama sempre possuem argumentos fortíssimos.

Antes que mude de opinião ele avança, vencendo os primeiros metros. No caminho há muita coisa para observar. Paisagens, flores, carros, casas, pessoas, placas e muitas outras coisas que passam muito rápido quando não se está a pé, roubando toda a beleza do caminho.

Depois de algum tempo de caminhada a placa indica: próxima saída – 1 Km. Depois disso serão apenas mais 1.500 metros, metade de subida. Nesse ponto, voltar pelo mesmo caminho não é uma opção. Desistir, muito menos. O tempo muda, começa a garoar. Bolhas aparecem. Está quase no fim. Nesse momento um cara de bermuda azul passa por ele pela segunda vez, o que significa que esse cara já tinha percorrido esse mesmo caminho duas vezes durante esse tempo. Não importa! Isso não é uma competição. Não haveria prêmio à altura.

Como em um passe de mágica a playlist acaba, exatamente no fim do caminho. No fundo, bem no fundo, ele já sabia o que queria de verdade. Ele queria um domingo cheio de coragem e pequenas vitórias. Qual estrada você vai percorrer nessa semana?

Hoje é segunda. O que você vai fazer com a sua?

 

“Ninguém consegue se proteger da tristeza sem se proteger da felicidade.”

Jonathan Safran Foer

Uma resposta

  1. FERNANDO TREZA
    | Responder

    Dan, meu querido amigo!!!
    Me emocionei com o seu relato..me vi nele..Estou travando uma batalha árdua e desleal com a balança e a academia…sei como dar o primeiro passo é dificil…mas não desanime, mantenha-se firme e forte na batalha…Caso precise de animo, é só me ligar…vamos juntos quebrar essas fronteiras, que para nós que estamos no começo, nos parece quase “intransponíveis”….GRANDE ABRAÇO MEU AMIGO …….
    FORÇA SEMPRE….

    FTREZA

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